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Biblioteca virtual ganha novas histórias

MONA LISA DOURADO

mdourado@jc.com.br

Das bibliotecas, museus e acervos pessoais para o território sem fronteiras da internet. Esse será o destino de milhares de publicações, documentos, trabalhos acadêmicos e correspondências de importantes pensadores brasileiros, como Joaquim Nabuco e Mário Souto Maior, que ajudam a elucidar boa parte da história e cultura do País.

Antes confinado a ambientes de acesso restrito, esse material poderá agora ser consultado por estudiosos e pesquisadores de todo o mundo graças a uma ferramenta de publicação criada pelo laboratório Líber do Departamento de Ciência da Informação da UFPE e a parcerias firmadas com instituições como o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e Fundação Gilberto Freyre (FGF).

Resultado de um ano de desenvolvimento, o software do Líber, batizado de Clio, supre uma dupla necessidade: de um lado, serve à aplicação e teste em grande escala dos modelos de gerenciamento de conteúdo criados pelo próprio laboratório, de outro, fornece às entidades depositárias de valiosos acervos da produção intelectual brasileira um instrumento que possibilita a transferência do conhecimento para a sociedade, assim como a preservação dos documentos físicos.

"O Líber tem a ferramenta e nós, o conteúdo. É o casamento perfeito para quem deseja unir preservação do acervo cultural com democratização do acesso à informação", diz Betty Lacerda Malta, coordenadora geral do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira (Cehibra) da Fundaj, que disponibilizará em sua biblioteca virtual livros, opúsculos e fotografias de Joaquim Nabuco, além de livretos raros de cordel.

Os pesquisadores e o público em geral que desejarem acessar os documentos provavelmente ficarão surpresos com a facilidade de manuseio do material. Basta digitar na busca uma palavra-chave relacionada ao documento procurado que o sistema gera todos os arquivos relacionados, com uma descrição contendo informações como título, autor, data e local de emissão, idioma e local físico da guarda do material, além de um link para a imagem do documento original que informa o número de páginas e o espaço que ocupa. Também é possível fazer o download do documento original, consultá-lo apenas em formato de texto ou vizualizá-lo em qualquer ângulo.

PLATAFORMA ÚNICA - O próximo passo, de acordo com o coordenador do Líber, Marcos Galindo, é integrar todos os acervos das instituições que decidam aderir ao sistema numa única plataforma, de maneira que a partir do site de uma entidade integrante da rede seja possível acessar diretamente o catálogo e conteúdo das outras. "Para o usuário a sensação é a de estar numa mesma biblioteca, já que não precisará mudar de página", detalha o coordenador do Líber.

Segundo Galindo, no prazo de um mês deve ser criado o protocolo que permitirá a integração, realizada via software livre. Paralelamente, estão sendo estudados mecanismos para se fazer a disponibilização de conteúdos entre as instituições.

"O compartilhamento é uma forma de incentivar a pesquisa e a discussão em cima das obras", comemora o superintendente geral da FGF, Gilberto Freyre Neto, que está criando duas novas bibliotecas virtuais, com as obras de Mário Souto Maior e José Antônio Gonçalves. Além do benefício em prol do bem comum e do patrimônio intelectual, ressalta Galindo, a iniciativa representa uma forma inteligente e inovadora de partilhar recursos humanos, financeiros, tecnológicos, saberes e capacidades específicas de cada entidade. Ganha principalmente a memória histórica e cultural do país.

FONTE: Jornal do Commercio, 16/Mar./2005.



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