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Rumo ao Futuro 2005

Há cinco anos, o Projeto Rumo ao Futuro ajuda jovens de menor poder aquisitivo a preparar-se para o ingresso na universidade. Certamente, uma experiência vitoriosa no campo da educação complementar. Os resultados positivos estão aí, com uma grande quantidade de vestibulandos que não teria condições para fazer um curso preparatório sendo aprovada para fazer seus estudos em vários cursos superiores no Estado de Pernambuco. Importante característica do projeto é que é resultado de uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, dele participando o governo do Estado (Secretaria Estadual de Educação), o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação e a Fundação Gilberto Freyre. Acaba de ser assinado contrato entre as três partes para dar-lhe continuidade por mais um ano. Uma novidade é que ele se estenderá agora da Região Metropolitana para o interior do Estado. Outra, que passa de 10 mil para 12 mil o número de alunos participantes.

Dá apoio logístico ao projeto a Fade (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE) através da Covest (Comissão do Vestibular). Trata-se assim de uma ampla rede de esforços e de incentivos para possibilitar que estudantes da rede pública estadual de ensino médio tenham acesso à preparação para os vestibulares, e ao ensino superior, em nosso Estado. O sistema de comunicação em que se integra este jornal já trabalha em parceria com a Covest há alguns anos, inclusive estimulando alunos do ensino público a testar seus conhecimentos. Os fascículos de apoio são entregues aos alunos inscritos junto com o exemplar do dia do JC, a TV Jornal exibe as teleaulas, a Rádio Jornal veicula o Minuto Rumo ao Futuro, e no portal JC Online, pode-se obter informações sobre o projeto, cujas inscrições estão abertas até o próximo sábado.

Iniciativas como essa e outras que buscam dar apoio a alunos da rede pública de ensino, tão negligenciada e marginalizada pelos poderes públicos, valorizá-los, merecem toda a aceitação e incentivo da sociedade, pois vão no sentido de um ensino público de qualidade, universal e gratuito, uma conquista já bem antiga, da Revolução Francesa, mas que vem sendo abandonada por sucessivos governos brasileiros há anos. Nada evidentemente contra o ensino de iniciativa privada, desde que conduzido com espírito público, pois educação, saúde, são bens públicos. Mas cabe ao Estado oferecer a toda a população o tipo de ensino público que permitiu a construção do desenvolvimento e da civilização de países como os da Europa, os Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul e tantos outros.

É muito controvertido o tipo de solução das quotas reservadas no ensino superior para minorias e para estudantes de escolas públicas. Muito mais importante e justo do que criar tais quotas, inspirada, a primeira, em iniciativa estadunidense, é acabar com as distorções de renda e realização social, além de restituir à escola pública o prestígio e qualidade de que gozava pelo menos até os anos 70 do século findo. Independentemente de haver estudado em escola pública, ou de ser afro-brasileiro, é o preparo do candidato à universidade que deve ser levado em conta.

Vamos então preparar bem todos os brasileiros, sem discriminação às avessas, com verbas suficientes para o ensino público, para o preparo e remuneração dos professores, com oportunidades econômicas e sociais democratizadas. Com projetos como o Rumo ao Futuro. Claro que não vai ser fácil enquanto perdurar a opção preferencial do nosso governo pelo superávit primário, pela aprovação, que nunca chega, das entidades monetárias internacionais. Aproveitemos a atual oportunidade de tamanha desmoralização do governo para pressionar pelo atendimento dos interesses nacionais, pela educação de todos os brasileiros.

FONTE: Jornal do Commercio, 10/Jun./2005.



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