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Jucepe e Fundação Gilberto Freyre recuperam acervo comercial do Estado

Não há registro de restaurante mais antigo funcionando no país do que o do português Manuel Leite, fundado no Recife em 1914. Mais cedo, em 1907, nasceram a marca e o formato dos biscoitos Maizena. Mais antiga ainda é a assinatura da princesa Isabel autorizando o funcionamento de uma companhia inglesa em Pernambuco – em 1871.

Todas essas relíquias ligadas ao comércio corriam o risco de desaparecer, mas foram salvas pelo acaso. Livros da Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe) – 299, ao todo – estavam encaixotados, abandonados e cobertos de poeira numa sala da Jucepe e vão ser restaurados pela Fundação Gilberto Freyre (FGF).

Os documentos já estão no Centro de Documentação da FGF, para que outros estragos sejam evitados. Logo de cara, os restauradores estão retirando o pó e os insetos que ameaçam as publicações. De acordo com os pesquisadores, o nível de conservação é regular, dentro dos padrões de conservação.

O projeto de restauração e digitalização dos livros deve custar R$ 700 mil, mas só R$ 100 mil estão assegurados. A expectativa é de que 60 mil registros sejam conhecidos ao término do trabalho. “Será quando nós poderemos saber a riqueza desse acervo”, diz Marcelo Corte Real, presidente da Jucepe.

Os livros registram os primeiros passos do comércio e da indústria da região. Entre outras preciosidades, estão a assinatura de Rui Barbosa, representando os interesses do Banco Emissor de Pernambuco; a aprovação da reforma dos estatutos de uma empresa que comercializava grãos pelo presidente Floriano Peixoto, em 1894; contratos antenupciais detalhando a partilha dos bens dos casais também eram registrados na Junta Comercial.

Para Gilberto Freyre Neto, superintendente da FGF, os livros trazem documentos que “refletem um cenário à margem das linhas de informação disponíveis hoje. É um registro técnico de praticamente 200 anos”.

Da Redação do pe360graus.com, com informações da repórter Beatriz Castro.

FONTE: PE 360º, 10/ago/2005.



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