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Amigos e parentes se despedem de Fernando Freyre

O corpo foi velado no Salão Nobre da Fundação Gilberto Freyre, no bairro de Apipucos, e sepultado no Cemitério Parque das Flores

Não, não fraquejarei, porque a imagem que de ti emana é a de um guerreiroParentes e amigos acompanharam o enterro do ex-presidente da Fundação Gilberto Freyre, Fernando de Mello Freyre, 62 anos, no Cemitério Parque das Flores, no Curado, Zona Oeste do Recife. O corpo foi velado das 18h de anteontem até as 9h de ontem no Salão Nobre da fundação, em Apipucos, Zona Norte. Era a principal sala da casa onde morou o sociólogo e pai de Fernando, Gilberto Freyre. Ex-presidente da Fundação Joaquim Nabuco, instituição que dirigiu por mais de 30 anos, Fernando Freyre morreu às 14h30 de quinta-feira em decorrência de dissecação aguda (ruptura) de toda a aorta torácia, que estendeu-se até a aorta abdominal.

Na hora do sepultamento, a atriz pernambucana Geninha da Rosa Borges recitou um texto de autor anônimo que fala de partidas e chegadas. A mensagem destaca os dois lados da vida: a pessoa está indo embora para alguns, mas chegando para outros.

Frederico Pernambucano de Mello, historiador, lamentou a morte de Fernando Freyre. "Era um homem intenso, afirmativo, com virtude de caráter", destaca.

Consternado, o presidente do Instituto Lula Cardoso Ayres, Lula Cardoso Ayres Filho, declarou: "Além da perda cultural para o Estado, perdi um verdadeiro irmão. Ele era meu maior amigo, o maior incentivador do instituto e companheiro de todas as horas."

O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Sérgio Xavier, representou o ministro Gilberto Gil, que está em Portugal. "Vim ao Recife para participar da reunião do Conselho da Fundação Joaquim Nabuco, que seria hoje (ontem), e terminei vivenciando esse momento triste. É uma perda para a cultura de Pernambuco e do País."

Leonardo Dantas declarou: "A justiça a Fernando Freyre se fará em breve tempo, porque se Gilberto criou o Instituto Joaquim Nabuco, em 1949, Fernando o transformou em fundação em 1980 e deu a esta um respeito e credibilidade internacional."

O professor Manoel Correia de Andrade disse que trabalhou 18 anos com Fernando Freyre e embora tivessem posições políticas e ideológicas diferentes, nunca houve divergências fortes entre eles. "Era um liberal na expressão mais ampla da palavra."

Fernando Freyre estava empenhado na publicação, em japonês, do livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. "Ele não teve o insight sociológico do pai, mas foi um excelente administrador. Tivemos uma amizade de 42 anos", disse o escritor Fernando Antônio Gonçalves. "Gilberto, onde quer que esteja, acho que não perdeu. Ele ganhou o seu filho", comentou o poeta e presidente do Conselho Estadual de Cultura, Marcus Accioly.

JC - Cidades

FONTE: JC - Cidades, 30/Abr./2005.



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